

GÊNESIS
De tanto a quanto, Que diria eu do poema etéreo frente à concepção do mero detalhe existencial?
Tão sublimemente talhado, belo semblante material que nem mesmo o hábil martelo tocara-lhe na fabricação. Vêm ferramenta e escultor, orgulhosos de si, incontinenti surgindo d’Aquele não criado e que é.
Da infinidade massiva ao grão, vê-se, de mortal, nenhuma mão. Os bl■c■s da vida não vivem por si só, mas vivem em vão. Eis a moral da história: o caminho, a verdade e a vida, cristalina realidade em um át•mo só ato isolado, desatado amor humano e divinal.
Que haveria eu de dizer ou escrever?... Versos ornados, martelados, perfilados, deuses em si, reluzentes sem lumiar. O verbo criar fora criado, dia algum em minha vida foi acrescentado, tudo que sei, sou, soo e suo a mim é dado, sou nada: e do nada, nada vem!
Sigam águas, seu curso, elementar ar arfando invisível em seu próprio transpirar, débeis o barro e a poeira deitada ao chão, queimam em combustão livres-arbítrios flamejantes.
E o que iria eu exclamar?... Argumentos do mais puro vaziø abarrotados!
- O poeta, na fazedura da linguagem, à criança da Criação dá luz. Leandro Seribelli
Enviado por Leandro Seribelli em 29/06/2026
Alterado em 31/07/2026 |