Leandro Seribelli

experimentando poesia

Textos

GÊNESIS

 

 

De tanto a quanto,

Que diria eu do poema etéreo

frente à concepção do mero detalhe existencial?

 

Tão sublimemente talhado, belo semblante material

que nem mesmo o hábil martelo tocara-lhe na fabricação.

Vêm ferramenta e escultor, orgulhosos de si,

incontinenti surgindo d’Aquele não criado e que é.

 

Da infinidade massiva ao grão, vê-se, de mortal, nenhuma mão.

Os bl■c■s da vida não vivem por si só, mas vivem em vão.

Eis a moral da história: o caminho, a verdade e a vida,

cristalina realidade em um át•mo só

ato isolado, desatado amor humano e divinal.

 

Que haveria eu de dizer ou escrever?...

Versos ornados, martelados, perfilados,

deuses em si, reluzentes sem lumiar.

O verbo criar fora criado,

dia algum em minha vida foi acrescentado,

tudo que sei, sou, soo e suo a mim é dado,

sou nada: e do nada, nada vem!

 

Sigam águas, seu curso, elementar

ar arfando invisível em seu próprio transpirar,

débeis o barro e a poeira deitada ao chão,

queimam em combustão livres-arbítrios flamejantes.

 

E o que iria eu exclamar?...

Argumentos do mais puro vaziø abarrotados!

 

- O poeta, na fazedura da linguagem, à criança da Criação dá luz.

Leandro Seribelli
Enviado por Leandro Seribelli em 29/06/2026
Alterado em 31/07/2026

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